terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Convivência
O aprendizado é contínuo e marcado em cada instante, exigindo atenção verdadeira a cada detalhe. Dos momentos mais inusitados vem grandes lições do Sensei.
"A convivência com o Mestre é algo que não pode ser descrito com palavras, por mais que nos esforcemos. É como tentar explicar a diferença do ar que respiramos no dia a dia agitado do cotidiano, e do ar das montanhas, onde tudo faz sentido. Se não se esforçar para ir até lá, jamais se terá ideia. E esse ar que renova nossa percepção e nos abre a mente para que continuemos seguir nossas vidas com propósito e sentido. O aprendizado é contínuo e marcado em cada instante, exigindo atenção verdadeira a cada detalhe. Dos momentos mais inusitados vem grandes lições do Sensei. Particularmente me marcou muito a lição do Bogu. Enxerguei como temos que estar preparados para Compaixão, tanto quanto para o combate, resultando no verdadeiro desapego. Mesmo no calor da batalha, devemos nos preocupar com aqueles que precisam de nossa ajuda, ter a visão ampliada e estar disponível para ajudar. Merecidas flexões que valeram muito mais do que a vitória, que é transitória frente o direcionamento para o que realmente importa. Essa foi apenas uma das lições que tive o privilégio de aprender e trazer pra minha vida, buscando ser uma pessoa melhor. A evolução apresenta-se nas mudanças que sofremos, as vezes dolorosas do treinamento exaustivo e Shiais apertados, na superação dos nossos limites físicos, mentais e espirituais. Escutar o "Gokurosama" nos brindes dos bons vinhos, ver o sorriso de todos, olhar uma imensa família feliz ao redor da fogueira, caminhar ao orvalho iluminado pela lua faz se materializar o Caminho Vivo que nos tira da mesmice mesquinha do mundo e nos faz quebrar todas as barreiras da língua, cor, idade e tantas outras ilusões; unindo-nos numa corrente forte de felicidade e contemplação." 
Donegá (Unidade Ribeirao Preto)
Fonte: http://www.niten.org.br/egans/2014-01#26119

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Budo e o ocidente.

O Budo e o ocidente.


É muito comum hoje em dia a crença de que o Budo seria a prática marcial tal qual a desenvolvida pelo antigo samurai.

Inicialmente é imperativo que façamos a seguintes perguntas: O que é Budo? Eu realmente entendo esse conceito?
Vamos as respostas.

Muito pouca gente no ocidente tem realmente a noção exata do que reúne em sua acepção exata essa palavra.

Primeiramente vale observar que Budo não é nem de perto uma prática do antigo samurai e sim um conceito moderno que tem como objetivo primordial o aprimoramento do ser humano como um todo, ou seja, física, mental e espiritual.

Que ganhou propulsão através da Dai Nippon Butoku Kai (大日本武徳会 Grande Casa das Excelências Marciais do Japão), que tinha por missão, e principais metas, organizar, padronizar e supervisionar toda a comunidade de artes marciais do país assim como promover o resgate, a valorização e a sobrevivência das “virtudes samurais” no Japão moderno.

Num segundo momento é preciso entender que por não se tratar de algo intrinsecamente ligado a nossa cultura, entender o significado latente ou subjacente existente no conceito de Budo acaba sendo uma tarefa muito mais complicada do que parece, visto que no próprio Japão o Budo é visto de uma maneira muito mais difusa, ou mesmo confusa!
Grosseiramente comparando, seria como tentar explicar a um japonês o conceito de “malandragem”, em minha opinião sem nenhum orgulho, tão arraigado a cultura brasileira e especialmente desenvolvido pelos cariocas. Por mais que se tentasse explicar sempre ficaria faltando alguma coisa.

Nosso próprio “sistema de palavras” (comunicação), que em muito difere do japonês, encerra em si uma limitação ao real entendimento do significado.

No Japão, Budo é um termo que abrange todas as práticas marciais, no entanto para que a prática de qualquer uma dessas disciplinas seja considerada Budo é necessário que seja executada de uma maneira peculiar. Quando referido ao Karate é quase sempre relacionado a prática austera distanciada das competições, onde o objetivo do treinamento incide sempre para o combate real

É muito comum hoje em dia ouvirmos um praticante de “esportes de combate”, como o Karate, e é muito importante que sejamos honestos ao avaliarmos essa questão, dizendo-se praticantes de Budo.

A verdadeira prática do Budo incide para um caminho de austeridade, seriedade, entrega e devoção, além da prática do respeito aos mais velhos e pelo mestre, meditação e um certo grau de abstinência.

Uma idéia que nos remete a pratica em um “Dojo”, um espaço solene, reservado e adequado tanto para a prática marcial quanto para a meditação, que difere em muito dos ginásios e academias iluminadas onde acontecem os treinamentos e competições esportivas.

A percepção deturpada desse conceito leva muitos “mestres” que aprenderam e desenvolveram um karate unicamente esportivo a acreditarem-se como verdadeiros “budokas”.

Budo é antes de tudo uma atitude, que pode ser inserida em cada pequeno detalhe de nossa vida, pois quando se relaciona o significado latente de Do, que em japonês não significa caminho simplesmente como “via”, mas encerra em si um significado extensamente mais profundo, pois refere-se a todo o “caminho” percorrido em uma vida, do nascimento à morte de uma pessoa, entendemos a magnitude que essa palavra encerra.A prática marcial é na verdade um excelente veículo para percorrermos esse caminho! Todos nós trilhamos esse caminho. No entanto, ele não se interpõe a nossa consciência e é extremamente fácil dispersar-se com o passar dos anos.

Deixar de se sentir capaz de aprender é o primeiro passo para fora do “caminho”!

Oss!

Fonte:  http://abkj.com.br/website/?p=1570; 18 jan 2015; by 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Saotome Sensei and the Meaning of Ikkyo

At this year’s Winter Intensive training seminar in Florida, Saotome Sensei spoke a lot about the meaning of “ikkyo”. Ito illustrate, he shared a story about a time from when he was training with the Founder, O-Sensei Morihei Ueshiba:

“O-Sensei would frequently say, ‘ikkyo whole life.’ Once, I responded, ‘Sensei – I already know ikkyo!’ O-Sensei responded, “Baka! (fool!) You not understand the deeper meaning of what I say!'”

Saotome Sensei said there is both an “omote” and “ura” meaning within O-Sensei’s statement “ikkyo whole life.” The “omote” meaning simply refers to the time it takes to learn the technical performance of the technique, and that can indeed can learned in a short period of time. However, the hidden part of the meaning is much more subtle.  When O-Sensei referred to “ikkyo” he often was actually referring to approaching each opponent and each attack with a fresh mind, and with no expectation from previous training since each situation is unique, each attacker is unique, and each time an attacker strikes, her reactions and responses will probably be unique.  “Ikkyo means ‘first chapter’, like the first chapter of a book.”

Although it might of been hard for many people who were listening during the seminar to catch, Saotome Sensei related the term “ikkajo” (the older name for “ikkyo”) to the Zen “Icho-go Ichi-e” (there is only now, there is only this opportunity).

I followed up with Sensei in his hotel room during lunch, and he further discussed the relationahip “ikkajo” and “Ichi-go.” Always new mind. Never treat your attacker like an old wife for old husband, always treat them with fresh eyes, “Ikkyo” is a state of mind and philosophy that transcends any physical activity.


We further discussed the importance and quality of that state of mind.  Sensei made a triangle of his fingers and said three words (Sensei loves puns and the accidental meaning found across homonyms)… “AtTENTION,” “inTENTION,”, “inTENSITY,” but not “tension.” He said it is a difficult paradox to summon the level of wakefulness and attention necessary to approach each situation with a truly alert and martial mindset but without tightening the body. He emphasized that when he says “ikkyo your whole life,” he means not just always having that mindset every time one is attacked, but trying to cultivate that state of mind throughout one’s entire life, every day, all day!

We joked that some people practice forceful, stiff, and muscular ikkyo technique their whole lives too.  Sensei laughed, “yes, that is also another meaning; some people stubborn, tense mind whole life!”

Fonte: http://tampaaikido.com/articles/saotome-sensei-and-the-meaning-of-ikkyo/
 calligraphy by Kisagari Chiyo.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uma lição sobre Osae-Waza (Técnicas de Imobilização).

“Como um ramo vergado pelo vento.”
Por T. Ishihama

(disponível em http://www.niagara.com/~zain/html/daitoryu.htm)
Traduzido por Anderson.

Há uma antiga citação atribuída a um professor chamado Hiraemon Urabe, que ensinou no distrito de Kamizato Kamigawa, no início do período Edo (Séc. XVII), que diz o seguinte:
“Todas as técnicas de imobilização devem ser interpretadas como um galho de uma árvore vergado pelo vento.”
Por mais enigmático que possa soar, quanto mais nós treinamos hoje, mais entendemos o que aquele professor queria dizer. Mas não de primeira...
Ainda lembramos o quão esquisitas muitas das técnicas básicas pareciam quando primeiramente fomos apresentados as elas. Nossas mãos se emaranhavam no que nos pareciam manobras desajeitadas e nossa impressão inicial era algo como: “Nunca faria isso em uma situação real”. Mesmo assim nós continuávamos as repetindo na esperança de que logo aprenderíamos algo menos intrincado e mais prático. Apenas o nosso profundo respeito por nosso professor e o conhecimento de que uma “crítica técnica” seria considerado quase como um insulto ou um desafio nos impedia de tecercomentários desfavoráveis. No entanto, era isso que nos passava pela cabeça.
Enquanto esfolávamos nossos pulsos, rasgávamos nossos uniformes e pelejávamos para ignorar a dor dos vários hematomas, nós ponderávamos sobre o valor dos nossos esforços. Eu, ao contrário da maioria dos meus colegas de classe mais antigos, não descendia de família samurai. Ao que eu saiba, a única tradição antiga em nossa família era a arte de fabricar e vender armações de kotatsu (n.t. mesa de centro baixa com aquecimento para as pernas e pés dos que se sentam à volta e uma manta montada nas laterais para impedir a fuga do calor), o que dificilmente poderia ser chamado de tradição marcial. Assim, o meu “orgulho marcial” teve que ser construído desde o início. Minha admissão no Dojô fora facilitada (moral e financeiramente) por meu tio materno, que fora um adepto da esgrima por toda sua vida. Para não decepcioná-lo eu tinha que perseverar. Ainda mais que pertencer a um dojô humilde e obscuro não me dava o incentivo adicional de praticar alguma arte popular ou ser parte de alguma organização de grande visibilidade na mídia. Basicamente o suor desprendido e o sangue derramado (bastante do primeiro e, na verdade, muito pouco do segundo, para ser honesto) era valorizado apenas por mim e não havia nenhum sinal admiração pelo sacrifício nos olhos de meus colegas.
O que tudo isso teria a ver com osae-waza, vocês poderiam perguntar?
Bem, muita coisa, na verdade, pois a minha atitude em relação à técnica acabava sendo mais ritualística do que espiritual, mais mecânica do que instintiva. Daquilo que me era apresentado, eu aproveitava uma parte e descartava outras arbitrariamente. Eu ouvia, sem dar muita atenção, às breves explanações que eram fornecidas e aí repetia e repetia as técnicas, convencido de que meu parceiro caía apenas por estar sendo cooperativo ao mesmo tempo em que duvidava que ele, por sua vez, pudesse me subjulgar daquele modo e de que teria, provavelmente, que arrancar-lhe a orelha “a dentadas” para conseguir dominá-lo de verdade.
Então, como tão freqüentemente ocorre no treinamento de Budô, ocorreu algo que subitamente fez brilhar uma luz intensa onde antes só havia penumbra... em dois passos!
Enquanto aplicava uma técnica que terminava com uma imobilização, aplicando pressão a dois pontos diferentes do braço do meu parceiro, nosso professor ficou agitado e me chamou a atenção duramente.
Ele sacudiu a cabeça e veio até nós dizendo “Não, não. Essa maneira de executar a técnica é completamente inútil. Você não está fazendo nada porque não está enxergando nada. Seu oponente está livre. Desse jeito a sua técnica não está servindo para nada!”.
“Minha técnica?!”, eu pensei, “Estou apenas executando o que você nos ensinou! E meu oponente não está livre coisa nenhuma! Se estivesse, porque estaria batendo no tatame?”
Imediatamente, como se estivesse respondendo ao que passava pela cabeça, ele citou sobre enxergar cada imobilização como um galho vergado pelo vento. “Você consegue adivinhar quando o vento vai parar e o galho vai voltar à posição inicial?” ele perguntou. “Você deve manter em mente que isso pode acontecer. Você está apenas aplicado a imobilização e depois está tudo acabado na sua cabeça. Você não consegue enxergar além. Desse jeito não vale nada!”.
Não pude argumentar com o velho. Não sou muito versado em símbolos filosóficos, mas eu não estava mesmo tentando entender. No fim das contas, eu não pensava em aplicar qualquer coisa do treinamento em nada que fosse remotamente prático, assim eu não estava muito receptivo a muito do estava sendo dito, além do “faça desse jeito” e “faça daquele jeito”.
Apesar disso a frase ficou martelando na minha cabeça por alguma razão. Esse foi o primeiro passo.
segundo passo ocorreu no hospital onde eu trabalhava, quando um dos pacientes ficou agressivo e nós fomos chamados para ajudar. Eu era o que estava mais perto dele, daí eu tentei agarrá-lo. Ele reagiu mal e tentou me atingir e eu acabei me vendo aplicar uma das nossas técnicas “desajeitadas” para levá-lo para baixo com o mínimo de dano.
E funcionou!
Melhor ainda, eu o tinha completamente imobilizado no solo! No entanto, algo faiscou na minha mente enquanto eu fazia isso. Não consigo me lembrar se eu o senti tentando reagir primeiro e depois pensei nisso. Ou se eu estava pensando na frase quando ele começou a revidar. Mas o fato é que ele não bateu no piso se rendendo e continuou ali. Ele se retorceu e lutou debaixo da minha imobilização, e tentou, do jeito que pôde, usar o resto de seus membros para me atingir...
O galho estava voltando à posição inicial!
E eu não simplesmente desliguei minha atenção quando eu apliquei a primeira imobilização. Houve alguma instintiva continuidade que não foi resultado de nenhum pensamento lógico e nem mesmo uma escolha consciente da minha parte. Não posso realmente dizer o que aconteceu em detalhes, mas eu apliquei uma segunda imobilização, uma mais complexa. Uma daquelas que eu estava certo de que nunca usaria. E essa também funcionou e deu tempo ao resto da equipe vir em meu auxílio.
Eu não tive absolutamente a mínima necessidade de morder a orelha de ninguém. Também não fui louvado como herói (ter que controlar pacientes não era uma ocorrência rara naquele hospital, e outros na equipe eram muito mais experientes e eficientes nisso do que eu). Não fui elogiado por ninguém e coisa toda durou apenas alguns segundos, apesar de, na minha mente de novato ter tido proporções épicas. Mas o valor do momento foi que eu finalmente entendera.
Eu tinha ouvido o termo zanshin ser repetido durante as aulas, mas nunca tinha realmente levado a sério. Agora eu tenho uma intuição disso aplicada às técnicas de imobilização. Como iniciante, toda a realidade do meu treino se condensou em um ponto e nada mais pareceu tão absurdo, tão sem-sentido ou tão arcaico novamente.
É claro que não foi nenhuma experiência de proporções épicas. Outros têm tido experiências de iluminação em situações de vida ou morte e chegaram à essência de suas respectivas artes assim como alguém que subitamente ouve o barulho do trovão logo após ter percebido o lampejo do raio à distância. Essa deve ser uma experiência gloriosa.
Mas, mesmo assim, isso abriu os meus olhos e, melhor ainda, abriu meu coração. Na minha aula seguinte, senti-me como se entrasse no Dojô pela primeira vez. O Dojô era o mesmo, assim como as técnicas. Era eu que estava diferente.
Ainda aprecio bastante essa lição, modesta como ela possa parecer aos ouvidos de outros.
Não há, na verdade, um ponto definido onde a técnica acaba, mesmo que pareçamos estar no controle. Uma lição simples, mas valiosa. Enquanto treinamos, devemos lembrar dela.
Hoje, eu treino com um espírito diferente. Não porque eu tenha envelhecido ou me tornado mais sábio, já que eu ainda corto meus dedos fatiando peixe (o que quer dizer que é muito mais seguro eu estar empunhado uma espada do que uma faca de sashimi) e ainda esqueço onde larguei meus óculos mesmo estando com eles assentados sobre minha cabeça, mas porque eu aprendi a apreciar aquilo que eu faço, aquilo que recebi de nossa escola. Tiro meu chapéu para o nosso professor por não ter perdido a paciência com um idiota como eu. Fico envergonhado quando penso sobre quantas vezes ele teve que repetir o mesmo conselho e em quanto tempo ele perdeu tentando me ensinar.
Hoje eu aplico aquele velho ditado a tudo na minha vida. Para estar preparado para tudo, pois não há garantias.
O vento pode cessar subitamente e o galho pode se endireitar a qualquer momento.
Sabendo disso e se preparando para isso sem ansiedade é também parte do treinamento. Controle absoluto é apenas uma ilusão temporária.
Nós tiramos vantagem do controle por um momento, mas no instante em que nos tornamos tão iludidos que o tomamos por certo e garantido, nós o perdemos. Na verdade, aprendo um pouco mais sobre isso a cada vez que praticamos osae-waza, e estou certo que de isso vale para todos.
Ainda não entendi tudo sobre isso, mas, felizmente, ainda há tempo... ou, quem sabe...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

IMPORTÂNCIA DA FAIXA BRANCA


É comum vermos alunos faixas brancas meio deslocados no Dojo, às vezes até isolados pelos demais alunos, tendo em vista ser ele um novato e ainda sem muita técnica.

Mas é importante lembrar que a faixa branca representa RENOVAÇÃO.

Isto porque nesta etapa é onde tudo começa, ou seja, é o primeiro passo no Caminho. Por isso, se torna tão importante darmos uma atenção especial a estes alunos, pois é neste momento do caminho que edificamos a primeira pedra do que viremos a construir na vida deste aluno; devemos, portanto, lembrar que serão eles o futuro das artes marciais.

Embora cada faixa tenha seu valor e, evidentemente que cada faixa antes da faixa preta signifique renovação, a faixa branca é a que mais representa isto, pois é sempre o inicio de um novo ciclo, que se finaliza na faixa preta, quando se inicia um diferente ciclo de conhecimento.

Nesse sentido, a faixa branca – que representa o inicio do discipulado – em épocas remotas, quando este início não era representado por faixas, o discípulo não escolhia um mestre, mas ao contrário, era escolhido por este.

Portanto, só o fato de estar iniciando um Caminho (arte marcial), já era motivo de grande jubilo, pois representava uma grande honra. Vivemos, porém, em uma época auspiciosa, em que os alunos têm a prerrogativa de escolher qual a arte marcial que pretendem praticar e com que mestre vão aprender, devemos valorizar ainda mais os faixas brancas, pois nós somos os escolhidos para guiá-los no Caminho.

Que sejam, todos os faixas brancas, bem vindos no Caminho.

Oss.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Benefícios da Prática do Aikidô – Por Jorge Mello da Silveira


A prática constante e regular do Aikido acarreta uma série de benefícios ao corpo e à mente do praticante, que serão perpetuados ao longo de toda sua vida.
Através do treinamento contínuo, verifica-se paulatinamente o surgimento de uma atitude de comportamento (de etiqueta, cortesia) dentro do Dojo, e que naturalmente se estende para o dia-a-dia. Virtudes nobres, tais como disciplina, lealdade, concentração, respeito mútuo, determinação e paciência são diariamente exercitados nas aulas, elevando o espírito e o caráter do aikidoísta.
E como os treinos são realizados em uma atmosfera de coleguismo e harmonia, o resultado é um sentimento de felicidade e satisfação. Este ambiente favorece a capacidade de se relacionar com as outras pessoas, contribuindo para os diversos níveis de relações sociais, do plano profissional ao afetivo.
No Dojo, o objetivo não é o de vencer todos os outros, ou provar suas habilidades; muito mais do que isso, a preocupação geral é de auto-aperfeiçoamento – há uma busca incessante pela perfeição da execução da técnica. Todos estão treinando para aprender, e não para satisfazer o ego, logo esta postura só pode trazer resultados positivos.
É através da prática, da repetição das técnicas, que se procura atingir o plano espiritual que é o verdadeiro objetivo do treino de Aikido.
x
Quanto à Saúde:

Com a prática do Aikido, observa-se uma melhora do sistema cardiovascular e respiratório, da coordenação motora e do condicionamento físicoMaior resistência e disposição para enfrentar o dia-a-dia são resultados dos treinos regulares, condicionando ao corpo maior flexibilidade e agilidade.
Diversos músculos são trabalhados, dada a enorme diversidade das técnicas de Aikido, tornando o indivíduo saudável e com ótimo tônus muscular.
Através das técnicas marciais praticadas como uma poderosa arte de defesa pessoal, as toxinas, juntamente com o suor, deixam o corpo, e a circulação sanguínea vai melhorando, os músculos se fortalecendo e o bem estar chega após algum tempo de prática.
Após as aulas, há uma sensação de bem-estar geral, que se mantêm ao longo do dia, reduzindo a ocorrência de doenças psicossomáticas, tais como o “stress”. As capacidades de aprendizado e raciocínio são ampliadas, contribuindo para outras atividades, como o trabalho ou o estudo.
Uma melhor postura é facilmente verificada com a prática constante do Aikido, principalmente nos treinos com espada e bastão, onde se trabalha intensamente o correto posicionamento do corpo, levando o aikidoísta a uma postura bem mais elegante e saudável.
x
Jorge Mello da Silveira – Educador Físico em Barra de São João – Casimiro de Abreu / RJ – Professor e Praticante de Aikidô.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Cinco Razões para se Treinar o Aikidô – Do site Japão em Foco


Entendendo as palavras do próprio mestre, aqui estão cinco razões pelas quais você deve estudar o Aikidô.
x
1. “O progresso vem para aqueles que treinam e treinam”
Parece óbvio, não é? Simplificando, treinamento de aikidô é viciante. A maioria das pessoas que começam a treinar aikidô, querem treinar mais e mais. Isto acontece porque aikidô trabalha tanto mentalmente e fisicamente e requer toda a sua concentração.
Você fica tão focado em lembrar as técnicas, que mal vai notar como sua resistência e aptidão cardiovascular aumentam; seu físico se torna mais enxuto e flexível e sua postura melhora. E estes são apenas alguns dos benefícios que o aikidô traz para a saúde.
x
2. “É a Arte da Paz porque controla a agressão sem ocasionar lesão”
Aikidô é essencialmente uma arte marcial de autodefesa. As técnicas de utilizar os movimentos fluindo para redirecionar a força de um ataque e subjugar ou desarmar um adversário sem causar nenhum dano permanente.
Isto significa que o aikidô não precisa de muita força física para ser eficaz, tornando-se especialmente popular entre as mulheres. Pode ser uma forma muito eficaz de autodefesa tanto que o aikidô é ensinado à Polícia Metropolitana de Tóquio e é obrigatório para oficiais do sexo feminino.
x
3. “Quando alguém vier com raiva, cumprimente-o com um sorriso. Este é o maior tipo de arte marcial”
A filosofia por trás do aikidô é que simplesmente derrotar um oponente através de uma maior força física só vai aumentar a sua agressividade e criar um desejo de vingança. A ideia é envolver o atacante de uma maneira que o fará perder qualquer tipo de hostilidade por você.
Em outras palavras, o aikidô ensina como fazer amigos. É uma ótima maneira de conhecer pessoas, aprender sobre a cultura japonesa e pegar um pouco da língua. Se você não pode falar japonês, isso não é problema. O aikidô é estudado em todo o mundo por pessoas de diferentes nacionalidades, raças e religiões e, quando eles vêm juntos nos Tatami(s), a língua comum do aikidô transcende todas as diferenças.
x
4. “Aikido é um caminho que segue os princípios naturais, princípios que devem ser aplicados à vida diária”
Não importa o quanto nós treinamos ou o quanto podemos aprender com a nossa formação. O treinamento é inútil se esquecermos os ensinamentos quando saímos do Dojô. Os princípios aprendidos no aikidô pode ser aplicado em qualquer situação – no trabalho, em casa e em todas as nossas relações interpessoais. Muitos alunos acham que a confiança e a positividade que ganham através do seu treinamento logo permeia todos os outros aspectos de suas vidas.
x
5. “Um verdadeiro guerreiro é invencível porque não existe derrotas”
Não existem competições ou brigas no aikidô. Isto porque “competir com os outros enfraquece e derrota você” e cria um foco na competição, rankings e resultados. A única competição é com você mesmo, para melhorar a sua técnica e para ser o melhor que você possa ser.
A ausência de brigas é outra razão pela qual o aikidô é popular com as mulheres e é apropriado para crianças de todas as idades, pois lesões são raras de acontecer, o que torna o esporte agradável, fazendo com que as pessoas pratiquem por muito tempo.
*
Se você gosta de artes marciais, então conheça o Aikidô, uma boa arte que trabalha a autodefesa, a espiritualidade e a saúde física e mental. Como diz o grande Mestre:
“Aikido não é uma técnica para lutar com ou derrotar o inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos seres humanos uma só família.” Morihei Ueshiba
x
Colaboração: www.japaoemfoco.com

No dia 09/12/2011