segunda-feira, 9 de julho de 2012


Entrevista com Mitsugi Saotome - parte 02


por Stanley Pranin
Aiki News #90 (Winter 1992)
Traduzido por Christiaan Oyens

Nesta segunda metade de uma entrevista dividida em duas partes, o fundador das Aikido Schools of Ueshiba (Escolas de Aikido de Ueshiba), Mitsugi Saotome continua falando sobre a sua abordagem de treinamento e o papel do Aikido como defesa pessoal. Ele também fala de seu sonho em criar uma “Universidade de Aikido” e nos apresenta a sua interpretação da mensagem de O-Sensei.

Tenho recebido as respostas mais contraditórias para esta pergunta. O senhor acha q o treinamento forte deve ser ministrado já a partir do nível principiante?
Isto depende da idade do iniciante. É difícil precisar o que é treinar forte e o que não é. Se você diz para alguém de 60 anos para treinar forte do início, ele não irá conseguir e também não é necessário. Esse tipo de pessoa fisicamente tem muita experiência, portanto ela não precisa despender energia desta maneira. Os jovens são por natureza, muito agressivos e você deve fazê-los treinar de forma vigorosa. Tentar frear pessoas jovens cheias de energia não irá funcionar. Eu, portanto, prefiro fazer com que os jovens treinem de forma vigorosa para que consumam sua energia. Mas, isto não é tudo. É melhor cansá-los depressa. O sentido de fazê-los treinar forte é para que tenham consciência dos seus limites físicos. É por isso que os faço treinarem forte e tento esgota-los fisicamente.

Existem alguns instrutores que encorajam o treinamento leve desde o começo. Após três ou quatro anos treinando assim, o Aikido acaba se tornando um tipo de dança. Aí as pessoas começam a questionar se realmente podem usar o que aprenderam.
Não corresponde pensar que se alguém faz os dois tipos de treinamento ele poderá usar as técnicas de Aikido. Por exemplo, existem métodos suaves e fortes aplicados à escultura. Você pode esculpir pegando algo duro e com muito esforço mudar essa forma para criar uma escultura, e você também pode criar uma forma usando material suave como o barro.

Durante o período do Aiki Budo, as técnicas tinham mais ênfase na defesa pessoal do que na maneira que o Aikido é praticado hoje em dia?
Acredito que sim. Mas o principal foco de todo o sistema de treinamento do Aikido é a defesa pessoal. Todas as artes marciais são praticadas com o propósito de defesa pessoal. Não existe nenhuma arte marcial que não esteja baseada no aperfeiçoamento da defesa pessoal. Porém, a coisa maravilhosa do Aikido é que nele se inclui tanto a “autodefesa do oponente” quanto a nossa autodefesa. Nós temos que proteger a vida do inimigo. Ambos são tipos de autodefesa.

Para conseguir isto acho necessário ter autoconfiança.
E você acha que a autoconfiança vem de onde?



Acho que a vivência é necessária de certa maneira. Para dar um simples exemplo, quando eu era menino e ouvia um barulho muito alto, meu corpo reagia com medo e meus ombros se elevavam. Agora sinto esta reação no meu estomago. Acho que deve ser um dos resultados do meu treinamento com o Aikido.
Isto é um exemplo. Mas não importa se existe algum desgaste quando o assunto é alguma arte marcial ou assuntos militares. Estes são úteis em tempos de infortúnio ou calamidade.

Houve um julgamento em Nova Iorque recentemente envolvendo um incidente no metrô onde um senhor atirou em cinco homens e o veredicto foi de que não se tratou de defesa pessoal. O foco da questão foi se realmente era necessário matar pessoas cuja resistência foi vencida no momento em que houve o primeiro disparo. Um exemplo: ele poderia ter atirado nas pernas deles.

A maneira de se pensar sobre defesa pessoal nas sociedades americanas e japonesas é completamente diferente. Na América, qualquer um pode andar armado com um revolver, portanto o grau de inquietação de uma pessoa andando por lá, comparado a alguém andando pelo Japão é completamente diferente. Não existe nenhuma outra cidade que seja tão segura quanto Tókio. Se a sua única preocupação for defesa pessoal, você pode ir a uma loja de armas e comprar um revolver. Você não precisa se importunar com nikyo ou sankyo.

Creio que a razão pela qual seja tão difícil espalhar as artes marciais na América é relacionada à sua historia de uma nação fundada por colonizadores. As pessoas que colonizaram a América já possuíam revolveres. Nunca lutaram com lanças ou espadas. Porém, o povo da Europa e Ásia tem experiência com artes marciais que não incluem armas de fogo. Se perguntarmos por que França, um país típico europeu tem uma predileção pelas artes marciais, isto é porque a apreciação pelas artes marciais faz parte de sua história. Mas este não é o caso com a América. Eu acho que os americanos desejam entender artes como o Karate ou o Kung-fu como algo sobrenatural, não creio que eles realmente tenham respeito por elas como artes marciais.

Qual é o valor destas técnicas num mundo moderno? Qual é a importância de espalhá-las?
Bom, o propósito do Aikido é de se aprender um conceito ou uma maneira de pensar. É um caminho para se aprender uma filosofia. São necessárias para os professores. Diferentes professores explicam a mesma técnica de formas diferentes. No processo de explicarem a mesma técnica, alguns professores criam gorilas e outros criam criaturas mais humanas. Não se trata de problemas criados por organizações, e sim o que cada professor pensa. Isto é algo muito importante. Quero deixar bem claro; eu não acho que O-Sensei era forte de alguma forma sobre-humana. Fisicamente ele era muito forte e havia coisas que só ele conseguia fazer. Porém, o que foi fantástico sobre O-Sensei foi que o mundo que ele visionava é possível para todos. Não o respeito apenas como artista marcial. Não posso ser como O-Sensei, seria uma tentativa fútil, mas posso sim estudar a sua visão do mundo treinando Aikido. É maravilhoso que o Sensei tenha concebido este mundo particular. Isto é algo possível até para mim. Não possuo a força física para desarraigar uma arvore com cinco ou seis polegadas de diâmetro como O-Sensei fazia, portanto não posso imitá-lo. Se for só disso que estamos falando, então apenas se tratava de um homem de grande força física. Não admiro O-Sensei pela sua dimensão física. Eu o respeito porque creio que o que ele pensava, o que visionava, era maravilhoso, e como a sua mensagem era algo esplendido para o mundo se tornar. A finalidade das técnicas é de se criar um método de aprender este tipo de pensamento; é uma forma de estudo e treinamento.

Isto é o que eu penso e a minha forma de explicar é muito diferente dos outros professores. O meu ikkyo não é grande coisa e sou um mero ser humano. O-Sensei dizia, “Qualquer um pode se tornar um santo.” A interpretação de um santo japonês e um santo ocidental é um pouco diferente, mas O-Sensei desenvolveu um tipo de auto-ensino ou um sistema de educação pública; um método de treinamento onde qualquer um pode alcançar um nível elevado através do misogi (purificação). Sob um ponto de vista histórico, isto é algo precioso.

Em muitos livros O-Sensei é retratado como um super-homem, mas isto não era seu objetivo original, embora eu ache maravilhoso alguém possuir este tipo de poder.

Creio que um dos atrativos de O-Sensei era a sua força. Porém, na América existem dojos onde ocorrem ferimentos.
Tenho muito cuidado em relação a ferimentos quando leciono na América. Isto não é apenas um assunto físico. É possível destruir a vida de uma pessoa. Por exemplo, pegue a vida de um músico famoso ou um cirurgião, ou um datilógrafo que chega e deseja aprender Aikido ou de estudar sobre o espírito do Aikido. Você pode se dar o luxo de destruir os dedos desta pessoa? Quebrar os dedos desta pessoa ou fazer com que ela fique incapacitada de usar seus dedos seria equivalente a destruir a sua vida ou de arruinar o seu sustento. Seria a mesma coisa do que matá-la. Talvez esta pessoa possa vir a ganhar a vida fazendo outra coisa, mas isto pode destruir sua razão de viver. Isto seria o equivalente a cometer um crime. Isto não iria tirar a vida desta pessoa, mas por outro lado, seria um crime tirar de uma pessoa a sua razão de viver.

Uma vez tive uma péssima experiência. Estava treinando na aula de certo professor e ele aplicou um ikkyo extremamente forte nos meus ombros ao forçá-los contra seu joelho enquanto ele me imobilizava. Depois não consegui comer sem assistência. Eu ganhava a vida datilografando e não podia trabalhar. As lesões levaram seis meses para sararem. Fiquei pensando depois sobre onde reside a responsabilidade quando um ato desses acontece.
Realmente não consigo responder isso, mas posso lhe apresentar o que penso a respeito. Isto é algo que jamais pode acontecer. É uma questão moral. Se você vai trabalhar como um profissional você não pode de forma alguma fazer algo assim. Se você é um professor profissional, você tem que ter a segurança de não causar lesões independentemente do rigor do treinamento que você impõe. Se você não possui pelo menos este tipo de controle, você não pode se considerar um profissional. Há uma diferença entre um acidente e algo que é feito de forma consciente ou intencional. É uma questão ética da pessoa que se propõe a ensinar uma arte marcial.

Se algo assim ocorresse em seu dojo, o senhor assumiria a responsabilidade mesmo que não tivesse pessoalmente causado a lesão?
É claro. Mas, na América, em relação ao tema da minha responsabilidade, não assumo a responsabilidade quando a pessoa executando uma queda comete um erro ou quando alguém não segue as instruções do professor e ocorre algum equívoco. Eu tenho a maior prudência quando estou ensinando algum faixa preta. Isto é uma questão moral. Você abre e opera um dojo e se você não tem morais o dojo torna-se uma selva. Quem você pagaria para lhe instruir? Isto é um comportamento antisocial. Não seria a mesma coisa que vender drogas? Algumas pessoas entendem que usar drogas destrói as pessoas, mas mesmo assim ainda as vendem. Isto é um comportamento anti-social e constitui um crime.


QUARTA-FEIRA, 8 DE FEVEREIRO DE 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Entrevista com Mitsugi Saotome - parte 01


Aiki News #89 (Fall 1991)
Traduzido por Christiaan Oyens
Este artigo foi preparado graças à ajuda de Jim Sorrentino dos Estados Unidos.

Mitsugi Saotome Shihan é muito conhecido nos Estados Unidos como o fundador do Aikido Schools of Ueshiba (Escolas de Aikido de Ueshiba). Nesta primeira metade de uma entrevista de duas partes, Saotome Shihan recorda seus quinze anos como uchideshi no Hombu Dojo, relata suas impressões sobre O-Sensei e discute sua abordagem para o treinamento com armas.

Aiki News: Poderia nos contar um pouco sobre o seu background em Aikido?
Saotome Sensei: Eu pratiquei Judo quando estudava na escola secundária. Fui enviado ao Kuwamori Dojo com uma carta de apresentação do meu professor de Judo porque ele achava que o Aikido seria bom para mim. Foi assim que fui introduzido ao Aikido. Quem estava dando aula naquele momento era o Seigo Yamaguchi Sensei. Eu era maior do que sou agora e pesava uns 90 kilos. Eu estava acostumado a ganhar competições de Judo em Tókio. Após a aula, Yamaguchi Sensei mandou que eu agarrasse seus dedos. No instante que eu os agarrei ele me arremessou. Não entendi como aconteceu e pensei que tivesse tropeçado em algum dos tatames. Pedi então que ele fizesse isso de novo. Acho que fui arremessado umas quatro ou cinco vezes. Ele me arremessou com seus dedos e também quando agarrei os seus ombros. Foi assim que fui iniciado nesta arte. Depois da aula conversei com o Yamaguchi Sensei e com o Kuwamori Sensei não só sobre artes marciais, mas também sobre vários assuntos como a filosofia oriental. Fiquei muito feliz com isso, pois estava ansioso para discutir estes temas. Ainda respeito Kuwamori Sensei e fiquei muito impressionado com o Yamaguchi Sensei. Então entrei no dojo enquanto seguia a minha prática do Judo.

Isto ocorreu após o retorno de Yamaguchi Sensei de Burma?
Não, isto foi antes de sua ida. O Kuwamori Dojo foi o primeiro dojo sucursal Aikikai após a guerra. Naquela época, o Doshu de Aikido Kisshomaru Ueshiba visitava o nosso dojo, nós o chamávamos então de “Wakasensei”. Pensei que ele seria um típico adepto das artes marciais, mas ele na realidade parecia um professor de universidade e era muito cortês ao falar. Ele me impressionou com os seus modos de cavalheiro. Fiquei surpreso com as suas mãos fortes e grossas. Ele era muito diferente dos professores de Judo. Falei com ele sobre vários assuntos e vim a apreciar o Aikido mais ainda.

Naqueles dias o Wakasensei ainda trabalhava na Companhia de Seguros Osaka. Eu treino Aikido desde aquele tempo. Shoji Nishio também estava presente. E Nobuyoshi Tamura tinha começado três meses antes de mim. Isto aconteceu há uns 37 anos [ca. 1954]. Desejava me tornar um uchideshi, mas isto só foi acontecer em 1961. Naqueles dias Tamura também trabalhava fora, mesmo sendo um uchideshi. Não era como hoje em dia que o dojo paga salários para seus professores jovens.

Quando conheci O-Sensei pela primeira vez eu cursava a escola secundária. Eu pratiquei no antigo Hombu Dojo. O dojo não era sujo, mas os tatames estavam bastante desgastados. O-Sensei, com sua barba branca, estava batendo papo com seus alunos. Não tinha a menor idéia naquele momento de quem era O-Sensei. O-Sensei falou comigo primeiro me dando as boas vindas enquanto as pessoas em sua volta aparentavam muita tensão. Fiquei bastante perplexo e senti um frio na espinha. Não sei se você pode chamar isto de um despertar espiritual, mas eu estava em estado de choque. Naqueles tempos eu pessoalmente visitava professores de diversas artes marciais, não só de Judo, mas todos eram muito diferentes de O-Sensei. O-Sensei tinha sessenta e poucos anos e era muito nobre. Foi uma oportunidade incrível para mim conhece-lo naquele momento. Ele me impressionou profundamente e me fez sentir que poderia abandonar tudo para ficar sob sua tutela.

Era o Wakasensei quem ministrava o maior número de aulas naquela época?
Wakasensei ensinava a aula matinal e depois seguia para o seu trabalho. Yamaguchi Sensei era quem dava o maior número de aulas.

Naquela época já existiam as aulas de manhã e à noite?
Exatamente. Mas não haviam tantas aulas no começo. O número de aulas cresceu gradativamente. Naqueles dias eu participava da aula das 8:00 às 9:00 que geralmente era dada por O-Sensei. Se apareciam dez alunos, o presente Doshu comentava como a aula estava cheia. Ele era jovem ainda. Me lembro que praticávamos kakarigeiko (treino contra ataques contínuos) como o Doshu. Hoje em dia o Aikido é conhecido, mas naquela época muita gente perguntava o que era o Aikido até mesmo em Tókio.

Quando eu era um uchideshi, O-Sensei me repreendia como muito mais freqüência do que aos outros. Eu fui um uchideshi durante mais de 15 anos e foi provavelmente por isso que ele achava mais fácil me repreender. Eu fazia o tipo desajeitado, enquanto que os outros uchideshi eram muito mais rápidos para aprender. Fui o último a permanecer como uchideshi. Em minha opinião, enquanto O-Sensei viveu a arte mudava ano após ano e estava sempre evoluindo. Eu queria observar como O-Sensei se desenvolvia. Foi por isso que fui o uchideshi que mais tempo ficou! [risos]



Aprendeu espada com O-Sensei?
Nos velhos tempos os shihan se revezavam ensinando aos domingos. Acho que O-Sensei ficou entediado um dia e disse, olhando no escritório, “Quem está aí, Saotome?” Ele me disse para trancar a porta e fechar as janelas, e eu fiquei imaginando ele estava pensando. Aí, ele me mandou pegar um bokken. “Este é um kata de espada para o uso numa luta de verdade,” ele disse e me mostrou. A sua maneira de pensar era bem antiquada. Ele tinha me mandado fechar as janelas para que ninguém lhe visse. “Você jamais se tornará um mestre,” ele disse [risos]. Eu não entendia nada. Aquele kata era um pouco diferente dos kumitachi. Ele me mostrou o kata rapidamente num espaço de 5 minutos.

Anos atrás, quando assisti o senhor treinar, Sensei, percebi que o senhor estava usando o que acredito que era a espada de bambu da Yagu-ryu. Ainda a usa nos seus treinos?
Todos os meus alunos usam. A razão pela qual uso a espada de bambu da Yagu-ryu é porque se usamos o bokken para aprender os básicos da espada e os kata, podemos machucar nossos dedos e por isso ficar com medo. Se formos golpeados por um bokken vamos nos machucar. Portanto, evitamos nos golpear. Já, se usarmos uma espada de bambu nos sentimos muito mais seguros, porque ao receber algum golpe não iremos nos machucar. Mesmo que venhamos a sentir alguma dor, não iremos quebrar nenhum osso. Então, iremos adquirir um grau de destreza com muita rapidez. Se usarmos um bokken, com certeza iremos ficar tensos. Se usarmos uma espada de bambu, podemos relaxar e praticar sem medo. Mais tarde podemos usar o bokken. Assim os alunos podem dominar o ken e os kumitachi. Porém, se treinarmos sem a menor chance de lesões, o treino poderá se tornar muito casual. Temos que ter o maior cuidado ao segurar a espada para evitar lesões. De alguma maneira não somos capazes de desenvolver o verdadeiro sentimento do kumitachi. Acaba se tornando um mero kata. Você não é capaz de harmonizar o seu ki de nenhuma maneira. Portanto, peço para os meus alunos usarem o bokken depois de terem algum domínio da espada. É uma maneira de se treinar passo a passo.

Morihiro Saito Sensei, por exemplo, organizou os movimentos de jo e ken que ele aprendeu com O-Sensei. Como são os kumitachi que o senhor desenvolveu para as “Aikido Schools of Ueshiba” (Escolas de Aikido de Ueshiba)?
A maneira de O-Sensei ensinar variava de acordo com a situação. As pessoas que foram ensinadas por O-Sensei executam o jo e o ken de formas diferentes. Como a espada de O-Sensei era a espada de Aikido, fica difícil de compreender. Você tinha que acompanha-lo de perto. Era necessário que você sistematizasse seus ensinamentos. Quando assisti a demonstração de ken e jo de Morihiro Saito Sensei no Friendship Demonstration, pensei, “Sim, O-Sensei ensinou isto também”. Mas de alguma forma era diferente. Saito Sensei organizou bem o que lhe foi ensinado. Meu método de espada e a forma de executar os kumitachi também são diferentes. Isto acontece porque as nossas experiências são diferentes.

SEGUNDA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2012

  

terça-feira, 29 de maio de 2012


Influência de uma Sessão de Exercício Aeróbio e Resistido 
sobre a Hipotensão Pós-Esforço em Hipertensos




Marcos Doederlein Polito,  Roberto Simão,  Milene Granja Saccomani,  Juliano Casonatto



Programa de Pós-gradução stricto sensu em Educação Física - Universidade Estadual de Londrina (UEL) - Londrina (PR), Brasil
Escola de Educação Física e Desporto - Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEFD/UFRJ) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil


Rev SOCERJ. 2009;22(5):330-334
setembro/outubro




Resumo

Fundamentos: Poucos estudos verificaram o comportamento da pressão arterial após sessões dos exercícios aeróbio e resistido em pessoas hipertensas.
 Objetivo: Verificar o comportamento da pressão arterial 
sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM) após uma sessão de exercício aeróbio e outra sessão de exercício resistido em sujeitos hipertensos. 
Métodos: A pressão arterial de 12 adultos hipertensos sedentários foi medida em repouso e durante 30min após caminhada de 20min em esteira elétrica com sensação subjetiva de esforço moderada e após duas séries de 15 repetições com a mesma intensidade subjetiva nos exercícios: voador peitoral, leg-press horizontal, puxada pela frente no pulley alto, extensão de joelhos e flexão de joelhos. 
Resultados: Os resultados identificaram redução significativa da PAS após o exercício aeróbio durante todo o período de monitorização pós-esforço em relação aos valores de repouso (138,8±14,0mmHg). Após o exercício resistido, a PAS não se alterou em relação ao repouso, com exceção da última medida 
(131,3±10,5mmHg), a qual estava mais reduzida que o repouso (135,0±10,0mmHg). Não foram identificadas diferenças para a PAD. A PAM mostrou comportamento semelhante à PAS, com reduções significativas em todas as medidas após o exercício aeróbio e somente na última medida após o exercício resistido. Em relação ao delta da pressão arterial, identificouse diferença significativa na medida de 10min para a PAS (aeróbio= -6,1±1,7mmHg; resistido= 1,7±1,8mmHg) e para a PAM (aeróbio= -3,5±1,5mmHg; resistido= -0,6±1,1mmHg).
Conclusão: Ambos os exercícios parecem repercutir de formas positiva sobre a PAS pós-esforço, sendo o exercício aeróbio mais eficiente por antecipar sua redução.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

João Pessoa recebe até o domingo seminário internacional de aikidô

Sensei argentino é o convidado deste sábado para apresentações na praia do Bessa. Amanhã acontecem exames para novos faixas pretas do esporte

Por Larissa KerenJoão Pessoa


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Aikidô (Foto: Larissa Keren)
Edgardo Novelino ensina as técnicas do aikidô
(Foto: Larissa Keren)

    Arte marcial criada e desenvolvida no Japão, o aikidô tem como objetivos a auto defesa e a saúde de seus atletas. Neste final de semana a cidade de João Pessoa sedia o 3º Seminário Internacional de Aikidô. O evento conta com a presença do sensei argentino faixa preta do 6º dan Edgardo Novelino, que foi aluno do mestre Reishin Kawai responsável pela introdução da arte no Brasil, e está sendo realizado no colégio Master Bessa. No domingo vai ocorrer também o 1º Exame Para Faixas Pretas, no mesmo local.
    Segundo o Sensei Edgardo, a importância do seminário é a troca de conhecimento entre ele e os praticantes do aikidô dos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte que estiveram presente.
   - A finalidade deste encontro é trocar experiências. É convocar pessoas diferentes para compartilhar e transmitir seus conhecimentos no aikidô – declarou.
     O aikidô pode ser praticado por crianças a partir dos seis anos de idade e não existe idade limite para parar de praticar o esporte. Existe casos de pessoa com mais de 80 anos que ainda estão treinando. Um atleta leva em média sete anos para se chegar a faixa preta.
    A arte também tem se popularizado entre as mulheres, pois exige menos contato físico e não é preciso muita força para praticá-lo. Segundo a faixa preta Cristina Cuono, o que mais lhe chamou atenção para o esporte foi o respeito aos limites pregado pelo aikidô.
  - Sempre gostei de artes marciais, mas tinbha medo de praticar porque muitas são violentas. Então eu conheci o aikidô que respeita os nossos limites, que prega a paz e não é de forma nenhuma violento. Me apaixonei e faz 12 anos que treino.
Diferente das outras artes marciais no aikidô não existe competições. De acordo com o Edgardo, o princípio da competição fere a proposta da arte que é transmitir paz a seus praticantes.
  - Não precisamos machucar alguém para mostrar nossos conhecimentos e isso acontece nas competições. Quem assiste ao um evento de aikidô vai ver que os atletas saem do tatame se nenhum machucado. Você tem que vencer a si mesmo e não ao outros. Nós procuramos mudar a consciência das pessoas para transmitir paz - disse.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Treino Extra : Sábado pela manhã

O aikido Potiguar  vem convidar os aikidocas a participarem de um treino extra no sábado pela manhã.

O treino  tem como objetivo a prática e o estudo de rolamentos , Taisabaki e Ashi no sabaki.


Horário:  Tem duração de 1h e 30 min , começando as 08:30 h ( manhã ) do sábado dia 24/09/2011

Destina-se a :   Todos aikidocas que queriam praticar;
                          O treino será focado para 6°,5°,4° Kyû

Local:   Av. Hermes da fonseca,1017-Tirol-Natal/RN ; Fone: (84) 3211.4412
              No dojo de aikido.

Sensei responsavel: Sensei Israel


Obrigado !!
           No 

Budô: o segredo da filosofia oriental

Conheça o pensamento que inspirou todas as artes marciais japonesas atuais, como Aikidô, Judô, Jukendô, Karatê, Kendô e Sumô

por Camila Taira 22.12.2010

“Todas as coisas possuem uma essência divina interior e uma maravilhosa função exterior. A essência de uma árvore manifesta-se em suas flores maravilhosas e na sua folhagem abundante. A essência da árvore não poderia ser percebida se não houvesse flores e folhas. Os seres humanos possuem uma essência divina interior que não pode ser vista, mas que se manifesta com as maravilhosas técnicas do budô”.

Heiho Jikansho da Escola de Shintô Kajima 
(Trecho extraído do livro Segredos do Budô, de John Stevens)

   Conta-se na mitologia japonesa que existe um demônio repressor, chamado Shoki, que age de maneira muito dinâmica, pronto para subverter um oponente. Há também um duende das águas, o Kappa, que assume uma posição natural e descontraída. Assim que surge uma oportunidade na defesa do adversário, o Kappa entra em ação. Essa capacidade de assumir as duas posturas, ataque e defesa, de acordo com as circunstâncias pode ser chamada, atualmente, de Budô, filosofia que inspirou todas as artes marciais japonesas atuais, como Aikidô, Judô, Jukendô, Karatê, Kendô, Kyudô, Naguinata, Shorinji-kempo e Sumô. Formada pelos ideogramas “bu”, que significa “guerreiro”, e “do”, que significa “caminho”, essa filosofia tem forte influência do zen-budismo, uma vez que estipula como meta final a iluminação do ser.
   Portanto, pode-se dizer que a prática do Budô vai muito além das lutas nos tatami. Ela é a bússola para o caminho espiritual do budoka, praticantes dessa arte. Aos olhos de todas as artes marciais japonesas modernas, o Budô é compreendido como a relação entre a ética e a cultura japonesas. Não desanimar diante das adversidades, mas sim aprender com os desafios, ser disciplinado e respeitar o oponente são alguns dos ensinamentos do Budô.
   Os grandes budokas dizem que é com o espírito em harmonia que a pessoa criará uma percepção para agir com energia e coragem a diversas situações que a vida lhe apresentar. “A missão do Budô é fazer com que cada praticante, por meio das boas maneiras, se torne um cidadão melhor para a sociedade”, acredita Fuminori Nakiri, 51, presidente do Budo Gakkai, instituição japonesa que pesquisa essa filosofia.
Pensando assim, não só um praticante de artes marciais, como qualquer pessoa pode utilizar os ensinamentos do Budô para controlar suas emoções e impulsos, tornando-se assim, um verdadeiro guerreiro iluminado.

História


   O Budô foi uma derivação do antigo bujutsu, conjunto de disciplinas que eram colocadas em prática nas batalhas durante o período Sengoku-jidai, que durou cerca de 150 anos, entre a metade do século 15 e início do século 17. “No Sengoku-jidai, os samurais lutavam por sobrevivência. As técnicas começaram a ser valorizadas só no Período Edo”, explica Masaru Kanzaki, mestre de Kobudo, a arte dos samurais, a mais antiga arte marcial japonesa.

   Ao contrário do conturbado período de guerras do Sengoku-jidai, o período Edo (1603 - 1867), também conhecido como Período Tokugawa, foi marcado pela paz no arquipélago. Com o fim das guerras, as técnicas de lutas que os guerreiros travavam foram ensinadas às pessoas comuns. Criou-se, então, um código oral em que o “espírito da esgrima” (ken-no-kokoro), considerado a base do Bushidô (caminho do samurai), foi transmitido para os praticantes. E como não havia um inimigo, as lutas ganharam características de competição. Para que o caráter competitivo não tomasse conta dos treinamentos, o Budô foi introduzido para ser o caminho espiritual por meio do qual o praticante das lutas de artes marciais atingiria a iluminação. Pode-se então dizer que os objetivos do Budô estão intimamente ligados ao objetivo definitivo da filosofia Zen, que consiste na eliminação do ego, dos preconceitos e ilusões criadas pela mente humana, apegada aos prazeres da Terra.
   Durante o Período Edo, surgiram centenas de escolas e modalidades de bujutsu (práticas de combate) com diferentes técnicas, definições e métodos. Essas novas lutas se caracterizaram nas atuais artes marciais japonesas que tem como fonte principal o Budô.
   Quem bebeu dessa fonte e se tornou um dos símbolos do ideal budoka foi o samurai Miyamoto Musashi. Depois de muitas lutas vencidas, o guerreiro percebeu que o objetivo das artes marciais ia além da técnica e da aniquilação do adversário. É, então que ele entende a filosofia do Budô.
Assim como a técnica requer prática, para um budoka atingir suas metas, ele precisa praticar incessantemente as premissas do Budô. Aliada à prática, o estudo teórico também é importante para atingir a serenidade diante das situações complicadas da vida.

O que um guerreiro deve seguir

   A fim de conservar os princípios básicos do Budô, a Associação Japonesa de Budô decidiu escrever, em 1987, uma Carta do Budô, em que estabelece alguns ‘mandamentos’ para a prática:

1. Por meio do treino mental e físico é possível formar o caráter do budoka, de modo a tornar um indivíduo disciplinado e de bem;
2. Agir com cortesia e respeito durante o treino e desenvolver o equilíbrio entre o corpo, a mente e a técnica. Evitar a tentação de perseguir apenas a técnica de luta corporal;
3. Ter a humildade e autocontrole durante uma competição ou formas definidas de combate (kata);
4. Demonstrar respeito e cortesia no dojô;
5. Os professores devem encorajar a evolução dos seus alunos e não devem dar ênfase somente às competições ou habilidade técnica;
6. As pessoas que promovem o Budô devem  ter mente aberta para compreender os valores tradicionais japoneses. Elas devem desenvolver pesquisas e metodologias de ensino para a sua divulgação;
7. Não importa quão rápido seja o movimento, este deve emanar de uma essência calma e silenciosa;
8. A adversidade não faz esmorecer um praticante do budô, ajuda-o a florescer;

O que o guerreiro deve evitar

- insolência
- confiança excessiva
- ganância
- raiva
- medo
- dúvida
- suspeita
- hesitação
- desprezo
- vaidade

   Os dez males aos quais um budoka não deve se entregar, segundo um manuscrito da Escola de Kashima Shin (retirado do livro Segredos do Budô, organizado por John Stevens. Editora Cultrix, 11ª edição)

Budô na educação japonesa

   A meca do Budô é o Nippon Budokan, entidade que congrega todas as artes marciais do Japão e fica localizada no atual parque de Kitanomaru, onde se localizava o castelo de Edo. Inaugurado em 1964, a obra foi construída a partir da contribuição do governo e do povo japonês e tinha como objetivo primordial ser um local de competições e de ensino do Budô.
   Atualmente, uma das maiores preocupações dos mestres é a conservação dos verdadeiros princípios do Budô. A partir de 2012, a filosofia será introduzida na disciplina de educação física do curso ginasial como matéria obrigatória, mas até lá os principais mestres japoneses querem viajar o mundo todo para divulgar o “caminho espiritual” e não deixar com que as artes marciais resumam-se apenas à prática competitiva.
   Em novembro de 2009, uma comitiva com 76 ícones das artes marciais do Japão veio ao Brasil falar mais sobre o Budô. “É muito importante para nós divulgar as artes marciais no Brasil, porque no Japão, os jovens estão mais interessados em praticar beisebol do que aprender lutas japonesas”, considerou Hikaru Matsunaga, presidente da Nippon Budokan.

Entrevista - Fuminori Nakiri

O mestre Fuminori Nakiri
   Na infância, um taco de beisebol lhe chamava mais a atenção do que um hakama (calça larga e frisada) ou um bogu (armadura). Mesmo assim, Fuminori Nakiri resolveu aprender kendo. E não se arrependeu pelo caminho que escolheu. Hoje, dos 51 anos que tem, 38 foram dedicados à arte marcial. O Budô foi a essência tanto da evolução da técnica, quanto da espiritual. Presidente da Budo Gakkai, instituição que foi criada em 1968 a pedido da sociedade japonesa, sensei Nakiri considera que o Budô pode auxiliar mesmo as pessoas que não praticam artes marciais.

Made In Japan - Há quanto tempo você treina kendô e por que se interessou por essa arte marcial?
Fuminori Nakiri - Comecei aos 13 anos, porque quando criança eu era muito fraco, muito covarde. Mas eu queria ter mais força, mais confiança em mim. Eu gostava muito mais de beisebol, do que de kendô, mas foi o kendô que me deu auto-confiança.

MJ - Qual a importância do Budô para os ocidentais?
F.N. - Primeiro seria a diferença entre Budô e esporte. O Budô é uma arte tradicional do Japão e que dá mais importância a constituição espiritual das pessoas. Diferente do esporte que é somente lutar e jogar. O kendô era chamado de luta durante a guerra. No período Edo, o Japão já estava no período de paz, e no mundo dos samurais, eles sempre treinavam em função da guerra, esperando que fosse ocorrer um combate. Em época de paz, como não há essa ansiedade, ficou somente como um treino. Ficou então só como uma prática para o corpo. Por isso é importante lembrar que não é só a parte da técnica, mas também a constituição do espírito.

MJ - Como o Budô lhe ajuda no cotidiano?
F.N. - A prática do Budô, que é o comportamento, o respeito ao outro, isso é muito importante dentro das artes marciais. O Budô é o comportamento, o espírito e a alma. Eu transmito esse conhecimento que tenho para os meus alunos e falo principalmente sobre a educação que desperta no sofrimento. Ele fortalece o próprio espírito e dá confiança às pessoas. Com isso você vai produzindo o comportamento humano e vai educando a sociedade para o futuro.

Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Made in Japan 137, de fevereiro de 2009

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Espírito do Aikidô: Aprendendo, Sentindo e Transmitindo a Essência

Por Kanshu Sunadomari - Sensei da Cidade de Kumamoto, Kyushu e Autor do Livro A Iluminação através do Aikidô.

Uma vida de treinamento: Perseguindo Técnicas que tocam o coração do nosso parceiro

O seguinte texto é formado por instruções dadas por Sunadomari sensei no 351o seminário de faixas – pretas, em 23 de janeiro de 2005, na cidade de Kumamoto, Japão.

A pratica do Taisabaki (o desvio do corpo)

Em casos onde o nosso parceiro nos ataca de uma distancia, taisabaki é da maior importância. Sem ser capaz de rodar ou virar o corpo adequadamente é impossível absorver o ataque e você vai inevitavelmente entrar em conflito com o atacante. Virar e rodar os quadris é extremamente importante. È mais essencial conectar harmoniosamente com o atacante do que tentar derruba-lo. Ao liberar força, com a tensão do corpo e virando nossos quadris nós podemos nos esquivar de um ataque. Através da pratica desse tipo de taisabaki, nós podemos continuar a treinar e a executar técnicas por toda a nossa vida até quando estivermos na velhice.

O esforço em desenvolver técnicas que transportam o seu espírito

Nós devemos desenvolver técnicas que incorporem e expressem nossos espíritos. Quando envelhecemos, técnicas que não transmitem o espírito através do corpo físico não possuem significado algum. Pregar sobre o amor sem ser capaz de transmiti-lo á outros é infrutífero. Temos que alcançar um ponto em que consigamos manifestar fisicamente o espírito através do nosso corpo. Justamente o que o Fundador se referia em suas palavras “Aiki é amor” e “fazer com que o inimigo deixe de ser inimigo?”. Precisamos gastar uma quantidade significativa de tempo estudando como incorporar essas idéias em nossas técnicas.

O uso crescente da força física leva para a autodestruição

Taisabaki é mais importante quando lidamos com um ataque de uma certa distância. Em casos em que seu oponente estiver perto, você não deve apelar para a força física quando estiver sendo agarrado ou tocado. Fazer isso só cria conflito entre você e ele/ela. Se você for duro, você será derrotado no instante que o atacante fizer contato. Mantendo a intenção de confiar no atacante é essencial. Através desse estado de coração e mente é possível lidar com o seu oponente livremente. No instante em que você é tocado, deve segurar o parceiro conectando-se com ele. Você pode achar que se fizer isso contra um atacante agarrando com muita força você será parado. Ao contrário, contra atacantes hostis, as técnicas de Aiki Manseido vão arremessa-los com uma força proporcional á força que eles usam. Quanto mais força física alguém usar, maiores serão os danos provocados a ele mesmo. Esse é um jeito de manifestar o espírito através do corpo físico. Em tal Caminho, nós podemos demonstrar claramente para outras pessoas que contar com apenas força física levara a esse final. Eu sinto que é importante treinar Aikidô por toda a nossa vida com esse propósito em mente, de adicionar ao treinamento a melhora do espírito e manter a saúde.

O Corpo é um veiculo para o Espírito

Recentemente, incidentes de crimes violentos estão aumentando cada vez mais e mais, fato notado pelos jornais e no dia a dia. Eu interpreto isso como um sinal de que os corações de todos estão “murchando”. Uma “pessoa” é um espírito em um corpo físico. (Em japonês, “hito”, a palavra para pessoa, pode ser escrita com dois caracteres kanji que representam “espírito/alma”, “consertar”, “amarrar” ou “manter”). Durante nossas vidas, nossas aspirações e o propósito por trás de nossas ações nos formam e podem servir para elevar e melhorar nosso espírito ou nos tornar presas das tentações do mal.

Direcionando nossas Visões na Realização da Visão do Fundador de um “Paraíso na Terra”

Nós devemos treinar continuamente e transmitir para outros o Espírito do Aikidô que o Fundador deixou para nós. O Fundador disse que a missão do Aikidô é criar um Paraíso na Terra. Além do mais ele declara que “as artes marciais são um caminho em que nós cumprimos nossa missão divina de tornar o espírito do Universo nosso espírito e nutrir dentro de nós uma proteção amorosa por todas as coisas.” O espírito de proteção amorosa por tudo leva á um sentimento de Irmandade entre todas as pessoas na Terra. Não existem coisas tais como “inimigo” ou “aliado”. Através do treinamento com esse sentimento um mundo maravilhoso vai nascer.

A cada seminário, participantes se enfileiram e Sunadomari sensei permite que cada um agarre o seu pulso e sentir a sua técnica. Esse método nos permite sentir seu poder Kokyu e “pegar” a sensação do estado mente/espírito que ele desenvolveu como resultado de mais de sessenta anos de pratica. No instante em que alguém o agarra o poder de luta desaparece e uma energia igual á força do ataque retorna para você. Na fração de um segundo se tornar sensitivo e perceptivo o bastante para alcançar a essência do movimento do sensei Sunadomari é algo extremamente difícil de se conseguir.

Durante seu ultimo seminário, o sensei falou especificamente sobre “a importância de ter um propósito bem definido para nossas ações”. Previamente ele também mencionou “a importância de agir no momento enquanto se está em uma idade em que se pode mover livremente”. Como um membro da sociedade na casa dos vinte anos essas palavras tocaram –me profundamente. Para jovens adultos como eu, uma época em que iremos nos deparar com numerosos problemas sociais e em que devemos assumir o papel principal se aproxima. Com isso em mente, eu sinto que agora é a época de aprender da sabedoria e experiências dos nossos idosos e considerar profundamente nosso propósito e ir adiante em nossas vidas.

Bu (do) é amor. O verdadeiro Caminho marcial do Japão é um espírito de paz que luta para pacificar o conflito antes que ele se manifeste. Isso é (o caminho do) Aikidô. Em épocas passadas, o Caminho das artes marciais era uma ferramenta usada para matar e conquistar. Ainda quando tudo era dito e feito, tal Caminho era ‘desencaminhado’ e levava a autodestruição. Aikidô, no entanto, é (o Caminho da) harmonia, é a manifestação do vasto e fundamental universo. Sem a compreensão desse espírito é impossível haver progresso no Aikidô e (praticá-lo) não tem nenhum significado. Nutrindo essa compreensão, Aikidô também se torna um método de autodefesa e um regime de saúde e beleza.”

Palavras do Fundador, Morihei Ueshiba. Texto foi retirado de uma entrevista do Fundador em Maio 26, 1961 durante uma visita a Kumamoto